ao rio

Soavam os tambores, e o exército marchava no ritmo das batidas. O farol à distância parecia tremer com milhares de pares de pés cansados que insistiam em castigar a estrada com sua servidão.
Em milhares de rostos, gotas de suor escorriam apesar do tempo frio, e milhares de mãos se recusavam a largar suas espadas para limpá-las.
O treinamento era pesado, cruel e inumano, mas todos aqueles homens e mulheres o abraçaram desde os seis anos, e não o questionavam mais.

Exceto agora.

Milhares de pés hesitaram quando alcançaram a margem, e avistaram a enorme barca. Corações fortes se esqueceram de bater por alguns segundos antes de persistir, como haviam feito por tantos anos, naqueles milhares de peitos viris.

Milhares de corpos servis marcharam em fila para dentro da enorme barca, e milhares de mãos entregaram sua única riqueza, uma moeda, para o Barqueiro.

O barqueiro então enfiou seu bastão na água e iniciou a viagem, impossivelmente empurrando a barca com a leveza de uma eternidade.

Milhares de corações então perceberam que perderam a guerra e poderiam parar de bater. Os olhos em todos aqueles rostos brilhavam de medo, mas as mãos largaram as espadas e permitiram que o exército todo observasse o rio enquanto viajavam.

As gotas de suor de milhares de testas atingiram as águas escuras, e todos os rostos na água os fitaram de volta. Uma vida inteira de servidão, guerra e morte os condenaria para sempre.

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~ por Mari em 25 de fevereiro de 2015.

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