espelho

Ela era muito bonita, e já havia recebido elogios vezes demais. Passava seus dias penteando seus longos cabelos em frente ao espelho, acariciando sua própria imagem. Era seu único verdadeiro amor.
Num dia, quando o reflexo acenou de volta, o coração dela se esqueceu de bater.
O sorriso que se formava no espelho não era gêmeo de sua boca de carne, que se contorcia de pânico. A mão do reflexo atravessou o espelho, agarrou seu pescoço e a puxou. Enfiada até a cintura dentro do espelho, podia sentir a gelidez e imaterialidade daquela realidade ao seu redor.
Arrastou a moça de volta para o mundo real, e cópia e original engalfinharam-se em uma luta impossível.
Seus olhos vindos do vidro eram demoníacos, e talvez tenham brilhado quando o espelho foi quebrado e uma de suas mãos agarrou um caco pontudo prateado.
Atirando-se para cima da moça, o reflexo imobilizou-a usando o antebraço em seu pescoço. Aproximou-se quase tocando seu nariz, sem piscar. “Vamos ver quem é a mais bonita agora” a outra disse, e nenhuma respiração foi sentida.
Enquanto ela sentia seu rosto sendo rasgado por ela mesma, ela só conseguia pensar:

“Mas eu te amo…”

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~ por Mari em 9 de fevereiro de 2015.

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