até logo

 

flowervaseEla se despediu, sem lágrimas nos olhos, é claro. A relação desgastada, os anos de convivência e a certeza da volta em uma semana não a abalaram. A idéia do divórcio vinha cortejando-a recentemente, também.

 Adeus – a velha mania de desejar “adeus” nos aeroportos a fez dizer.

Adeus nada, até logo. – ele disse.

Mais tarde, naquele dia, o telefonema lhe informou que o avião dele havia caído, e que não haviam sobreviventes.

Ela desligou o telefone sem falar nada. Foi até a mesa de jantar, arrumou as flores no vaso. Uma lágrima escorreu. Ela sentou-se em uma cadeira, e chorou até dormir ali mesmo. Ela não desejaria por nada mais pretensioso do que uma segunda chance de despedir-se, de dizer algo melhor do que aquele adeus, e de ouvir aquele maldito até logo.

É que algumas vezes os “atés logos” não chegam nunca.

 

 

— cure, cut here —

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~ por Mari em 9 de fevereiro de 2009.

Uma resposta to “até logo”

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