treze

all-starAos treze, eu gostava de Pearl Jam e A Perfect Circle. Odiava Smiths e AC/DC.

Eu tinha amigos de quem nunca me separava, e jogava RPG todos os fins de semana. À noite, encontrava com todos numa galeriazinha ao ar livre, e ali era onde eu me sentia em casa.
Eu tinha que chegar às nove em casa. Ia bem na escola. Saía da aula e ia andar por aí com o pessoal da classe, que foi a melhor que eu tive na vida toda.
Namorava um cara chamado Marcelo, e alguns amigos tinham ciúme dele, e ele, de alguns amigos.
Eu era tudo o que queria ser, e andava com meus All Stars coloridos.

Então, todos os anos depois, eu adoro Smiths e AC/DC, e continuo adorando Pearl Jam e A Perfect Circle. Eu tenho outros amigos dos quais me separo de vez em quando. Jogar RPG é apenas uma lenda.
Os frequentadores da galeria dispersaram-se pela vida: dois ou três fora do país, muitos fora da cidade. Quase todos, formados já há tempos. Um morto. Uns dois crentes.  Outros, já casaram. Algumas das meninas já tiveram filhos.
Eu nunca mais me dei bem em escola alguma, odiei todos os lugares em que estudei. Não namoro mais o Marcelo, mas nos esbarramos algumas vezes ao longo dos anos. Não uso mais All Stars.

Queria que tivessem me dito que aos 21 eu teria uma filha de um ano, seria muito gorda e viciada em computador. Que faria Biomedicina e teria feito intercâmbio! Eu teria rido, dizendo que Biomedicina era a pior profissão do mundo, que eu jamais seria mãe cedo, e que haviam muitos países melhores do que a Alemanha para um intercâmbio.

Nesses anos todos, eu conheci todo o tipo de gente. Namorei oito vezes e tive infinitas paixões, a maioria, platônicas. Escrevi todas as cartas de amor do mundo, e a maioria delas ainda está comigo. Conheci o amor verdadeiro, e queria não ter conhecido. Já aceitei namorar com quem mal conhecia, e já namorei com um melhor amigo. Aprendi tanta coisa… e continuo sem saber nada.

Olho pros meus All Stars empoeirados no armário e penso que queria poder viver tudo de novo.
Mas, o tempo passou.

Eu cresci, e cresci sendo exatamente o que queria ser, mesmo que não soubesse disso.

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~ por Mari em 6 de dezembro de 2008.

5 Respostas to “treze”

  1. uma palavra: WRONG

    e aceitar namorar um desocnhecido é uma coisa que não deveria acontecer.

    é o tipo de NUNCA que devemos seguir.

  2. Tá… Essa foi a resenha da sua vida e onde estou nela? 😦

  3. Adoro seus textos… Sou vizinha e amiga da Camila aki em B.H. Ela me passou o endereço do teu blog, e amei! Até coloquei na pg do meu, dos q leio… Espero q ñ se importe! Passa lá depois! Bju!

  4. Nossa Mari, não sabia de tais aptidões, pelo visto existem pessoas nas quais não se pode esperar menos que TUDO.

  5. wrong

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