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	<title>o feixe de luz</title>
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	<description>Manifestações Bigórnicas Literárias Pseudo-Impublicáveis da Mari</description>
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		<title>o feixe de luz</title>
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		<title>vôo</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 13:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele corria, gritava. Dizia que ia contar para a mãe, que a mãe ia chamar a polícia. Depois de anos e anos de abusos vindos do Padre Fausto, ele finalmente começara a entender a gravidade da situação. Desde pequeno a mãe o levara para a igreja. Católica fervorosa, orgulhava-se do pequeno coroinha. Padre Fausto era um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=407&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2012/01/asas.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-408" title="vôo" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2012/01/asas.jpg?w=497" alt=""   /></a>Ele corria, gritava. Dizia que ia contar para a mãe, que a mãe ia chamar a polícia.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de anos e anos de abusos vindos do Padre Fausto, ele finalmente começara a entender a gravidade da situação. Desde pequeno a mãe o levara para a igreja. Católica fervorosa, orgulhava-se do pequeno coroinha. Padre Fausto era um exemplo de  bondade, retidão e confiança; ela deixava seu filho por tardes e tardes no catecismo. Quando o garoto via-se sozinho com o Padre Fausto, este lhe fazia perguntas estranhas, sobre os amiguinhos. Encostava-lhe a mão naqueles lugares que a mamãe disse que serviam apenas pras necessidades. Com o passar do tempo, Padre Fausto passou a machucar- lhe as partes, deixando-o sangrando e choroso. Dizia-lhe que era isto que era o catecismo, que era isto que a mamãe queria para ele, e que se reclamasse, mamãe ficaria muito triste e o abandonaria. Que Jesus queria que ele fosse bonzinho.</p>
<p style="text-align:justify;">E ele era.</p>
<p style="text-align:justify;">Aos poucos o garoto parara de chorar, e aprendera a acreditar que estava fazendo o que a mãe queria. Continuava sentindo muita dor, mas ele pensava que Jesus o aceitaria e ele seria recompensado.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas ele cresceu. Aos dez anos, já vira na televisão e começara a entender que aquilo que Padre Fausto fazia com ele não era certo; decidiu que daria um fim à situação. Naquela tarde, quando chegou à igreja, Padre Fausto fez os avanços costumeiros. E ele afastou-se, gritando. Começou a correr, gritando para o padre que descobrira que aquilo era errado e contaria à mãe e à polícia. O padre perseguia-o, derrubando bancos pela igreja.</p>
<p style="text-align:justify;">O sol entrava pelos vitrais, formando imagens estranhas e distorcidas no chão. O garoto pensava em tudo o que acreditara, em todas as mentiras. Pensava se Jesus realmente permitiria que ele sofresse tanto.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentiu um puxão. Era a mão do padre, que finalmente conseguira agarrar a parte de trás da camiseta. Lutou; conseguiu rasgar o pedaço da roupa, arranhar profundamente o rosto do Padre Fausto, morder seu braço. Mas o padre o agarrou pelos cabelos.</p>
<p style="text-align:justify;">Com a voz calma, Padre Fausto anunciou que não teria mais compaixão. Que finalmente faria tudo o que o garoto merecia, porque Jesus não gosta de crianças rebeldes que não obedecem à mamãe e a Deus. Carregou-o pelos cabelos até o altar, violando-o ali em cima. A igreja vazia parecia abarrotada de terror e ódio, e o garoto continuava lutando. Tufos soltavam-se com pele de seu escalpo na mão do padre, e sangue escorria pela sua nuca e costas.</p>
<p style="text-align:justify;">O Padre teve seu orgasmo, enquanto o garoto gritava, banhado em sangue , tufos de cabelo por cima do altar. Sentiu o ódio dominando sua mente, a vontade de acabar com aquilo. Aquele garoto já crescera demais, as coisas poderiam começar a ficar perigosas. Olhou para a pia de batismo, cheia para a cerimônia que aconteceria dali a algumas horas.</p>
<p style="text-align:justify;">O garoto sentiu-se arrastado para fora do altar. Sua visão já estava prejudicada pelo medo, e ele já não identificava o ambiente ao redor. Alucinava; sentia que corria por uma praia, longe, longe. Correu até a beira do mar, enfiou os pés na água e sentiu a temperatura fria tomar conta de seu corpo. Deliciou-se com a sensação da areia entre os dedos. Observou uma estrela-do-mar avermelhada chegar arrastada pela água. Adentrou mais profundamente, caindo de joelhos na água, sentindo as ondas baterem contra seu peito. A água abraçava-o, libertadora, acolhedora. Uma enorme onda atingiu-o, e a água que alcançava suas costas tomava forma, criava imensas asas impossíveis, transparentes e fluidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Levantou vôo, com suas enormes asas cristalinas pingando no oceano. Avistou uma árvore, solitária no horizonte praiano. Atrás dela, o sol se punha com cores inimagináveis, que formavam arco íris quando transpunham as asas do garoto.</p>
<p style="text-align:justify;">E ele voou, cada vez mais alto. Pensou se encontraria Jesus, finalmente. Quando não encontrou, ele finalmente entendeu. Só existia um Deus, e este Deus era ele mesmo. Ali, com suas asas impossíveis, em seu vôo impossível e eterno.</p>
<p style="text-align:justify;">O padre retirou o corpo do garoto da pia batismal. Ele lutara, foram quase três minutos até ele parar de debater-se com a cabeça dentro da água benta. Sentou-se no chão, ao lado do corpo molhado e mutilado do garoto. Pela primeira vez em anos, notou o que fizera. E chorou.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma sombra maculou as cores estranhas projetadas pela luz através dos vitrais. O padre olhou, lágrimas escorrendo. Ao longe,  avistou uma criatura estranha, com asas cristalinas, voando cada vez mais alto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/407/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/407/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=407&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>papel quadriculado</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 02:46:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>

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		<description><![CDATA[Então, a tinta da caneta finalmente acabou. Naquele porão, era tudo o que lhe restava. A comida acabara na semana anterior, as latas abertas jogadas no chão empoeirado. Dois lençóis rasgados eram toda a forma de aquecimento que tinha, além das parcas roupas do corpo, aquelas que usara para fugir. Quando tudo começou, ele estava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=397&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2011/09/papel-quadriculado.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-399" title="papel quadriculado" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2011/09/papel-quadriculado.jpg?w=497" alt=""   /></a>Então, a tinta da caneta finalmente acabou.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquele porão, era tudo o que lhe restava. A comida acabara na semana anterior, as latas abertas jogadas no chão empoeirado. Dois lençóis rasgados eram toda a forma de aquecimento que tinha, além das parcas roupas do corpo, aquelas que usara para fugir.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando tudo começou, ele estava voltando para casa, com a música no último volume no fone de ouvido. Vinha da papelaria, e tinha nas mãos um bloco de folhas quadriculadas. Então, ele notou a rua esvaziando, pessoas correndo, os gritos emudecidos pela música que atravessava seus ouvidos como uma lança. Finalmente, viu do que elas fugiam, e fugiu também. Em nenhum momento desligou a música, então, nunca soube que som aquilo fazia.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez, tenha sido melhor assim.</p>
<p style="text-align:justify;">Conseguiu chegar na própria casa, e enfiar-se no porão. Os pais estavam trabalhando, e ele preocupou-se. Esperava que os pais tivessem chance de fugir, abrigar-se; e mais ainda, esperava que os pais estivessem ali com ele. Sentou-se no canto do pequeno porão que servia como uma despensa meio esquecida, e esperou.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentiu os tremores, viu o pó caindo por entre as frestas das tábuas do chão da cozinha, diretamente acima do porão. A casa fora completamente destruída. O entulho restante, caído, bloqueando a saída do porão. Ele não retirou os fones de ouvido até que tudo parecesse calmo. Então, quando o fez, notou o silêncio. Nada mais funcionava, nada se mexia. Do abrigo subterrâneo, nem o vento se fazia ouvir.</p>
<p style="text-align:justify;">Observou ao redor, fazendo um inventário mental: algumas latas de comida, envelhecidas e além do prazo de validade; poucas ferramentas enferrujadas; uma velha mesa de desenho; latas velhas de tinta ressecada, de uma pintura feita no bangalô mais de vinte anos antes; panos e lençois rasgados, empilhados precariamente no canto. E o bloco de papel quadriculado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele saíra mais cedo naquela tarde para buscar o papel, querendo desenhar mapas para suas histórias fantásticas. Queria ser escritor, ele dizia. Achou uma caneta no bolso, aquela que sempre ficava ali para &#8220;emergências&#8221;. Sentou-se à mesa de desenho, passando a mão pela superfície, tentando limpar. Abriu o bloco na primeira folha, e começou a desenhar. Intercalava seus mapas com histórias, apertadas, ocupando cada centímetro das folhas. Diminuía sua letra cada vez mais, para que aquele bloco durasse o máximo possível.</p>
<p style="text-align:justify;">Os dias foram passando. Ele tentava racionar comida, mas a fome era enlouquecedora. Bebia a água das conservas. Quando chovia, aproveitava as gotas que escorriam pelas poucas aberturas entre as tábuas do chão do que costumava ser a cozinha. Também, por estas frestas, usava a luz para desenhar. À noite, ele ficava apenas com a escuridão. E os gritos, é claro. Eles começavam sempre que o sol se punha. De manhã, apenas o farfalhar de passos erráticos sobre folhas caídas e sujeira podiam ser ouvidos. À noite, o mundo parecia enlouquecido.</p>
<p style="text-align:justify;">Os pais nunca voltaram para buscá-lo. Ele esperava que os pais estivessem mortos ou abrigados como ele. Pensava todos os dias que se os pais também estivessem gritando daquele jeito, era melhor mesmo que tivessem morrido. O dia em que caneta finalmente deu seu último suspiro, era seu aniversário de treze anos. Ele, claro, não sabia disso. Não tentou, e nem queria contar o tempo. Observou ao redor, e viu as latas espalhadas pelo chão. Usou uma delas, cortou a palma da mão esquerda, fazendo o sangue escorrer fracamente e pingar na mesa. Então, recomeçou a desenhar.</p>
<p style="text-align:justify;">Foram meses até a comida acabar. Ele ainda aguentou mais três semanas antes de morrer, magro, sozinho, numa noite fria. Escrevera até a última página, frente e verso de todas. Tentava ignorar os gritos enlouquecidos. Via, através de uma fresta no teto, os flocos de neve caindo. Enquanto morria, pensava em cavalos e cavaleiros, coroas e princesas, dragões e elfos, ouro e pedras preciosas. No mundo dele, cada um daqueles flocos de neve caía sobre uma terra próspera e mágica, cheia de criaturas fantásticas. Deixou-se levar pelos pensamentos, a princesa mais bela acolhendo-o nos braços após uma batalha.</p>
<p style="text-align:justify;">No mundo real, seu corpo debilitado contorceu-se no último sopro de vida. Se algum dia alguém encontrasse seu refúgio, acharia a mais bela obra já escrita, metade em tinta, metade em sangue. Ilustrações riquíssimas, mapas de mundos utópicos e criaturas nunca antes imaginadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, não havia mais ninguém.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/397/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/397/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=397&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>orquídea negra</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 21:59:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[Metáforas]]></category>

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		<description><![CDATA[Os passantes observavam, todos os dias, o mesmo homem sentado embaixo de uma árvore num canteiro daquela cidade grande. Ele permanecia envolto em um manto sujo, de um tecido barato e mal feito. Sua face sempre coberta pelas sombras invocadas pelo capuz do manto, quando o sol das quatro da tarde banhava o topo de sua [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=365&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/08/orquidea.jpg"><img class="size-full wp-image-366 alignleft" title="orquidea" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/08/orquidea.jpg?w=497" alt=""   /></a></div>
<div style="text-align:justify;">Os passantes observavam, todos os dias, o mesmo homem sentado embaixo de uma árvore num canteiro daquela cidade grande.</div>
<div style="text-align:justify;">Ele permanecia envolto em um manto sujo, de um tecido barato e mal feito. Sua face sempre coberta pelas sombras invocadas pelo capuz do manto, quando o sol das quatro da tarde banhava o topo de sua cabeça de contorno incomum.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">
<p>Poucos notavam a corcunda unilateral que elevava o contorno de suas costas recurvadas. Suas mãos, com dedos indicadores fundidos com os médios, acariciavam um pequeno saco feito de juta, meio rasgado e encardido. Àqueles que reservavam um momento de seus dias para repugnar-se com a visão do homem, a lembrança de suas características físicas tinha dois rumos possíveis dentro de suas mentes: podia ser apagada por completo, por defesa. Ou então, o cérebro encarregava-se de preencher os espaços cobertos pelo manto e a visão aterradora seria repetida infinitamente em noites mal dormidas.</p>
</div>
<p style="text-align:justify;">O homem sempre esteve lá, mesmo antes de aquela cidade e todas as outras serem construídas; não possui lembranças, desejos, sonhos, dores, deleites ou delírios. Possui apenas uma verdade, e é aquela que comporta todas as outras.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele guarda a sua verdade no pequeno e surrado saco de juta, de tempos em tempos abrindo-o para certificar-se de que ainda continua ali. Sua função é entregar a verdade a quem quiser vê-la.  Ele agarra-se a esta certeza, executando sua tarefa com ferrenha lealdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Esteve sempre ali, e ninguém nunca questionou sua presença ou seu saco de juta.</p>
<p style="text-align:justify;">E então, a pequena garotinha que tomava sorvete com seu avô desgarrou-se e meteu-se na multidão apressada na calçada da avenida. Dirigiu-se diretamente ao homem, hipnotizada, não pela corcunda, nem pelos dedos fundidos, nem pelas órbitas vazias, plenamente visíveis às dez da manhã; seu olhar e seus pensamentos atraíram-se pelo leve agitar da juta ao vento.</p>
<p style="text-align:justify;">A menina então olhou profundamente para onde os olhos do homem deveriam estar, e sorriu. O homem apenas estendeu o saco, e a garota tomou-o em suas pequeninas mãos infantis.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentou-se no chão, ao lado do homem. Abriu lentamente o saco e lá de dentro retirou uma orquídea. Suas pétalas aveludadas eram do mais profundo negro; sua aparência estranha era de beleza inconcebível e seu perfume tomou seus pulmões e encheu seu peito com a única verdade do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">A menina levantou-se, colocou a orquídea de forma a adornar seus belos cachos cor de fogo. Acenou apenas uma vez para o homem sentado, que retribuiu o gesto. Por fim, foi-se, encontrou-se com seu avô e nunca mais voltou àquele lugar.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando, por saber a verdade, a menina mudou o mundo anos e anos depois, o homem colheu outra orquídea de seu jardim e sentou-se sob outra árvore, para esperar outros dez mil anos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/365/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=365&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>morte (I)</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 20:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costumo imaginar as pessoas mortas. Olho para elas e vejos seus lábios descorados, as bochechas azuladas e o olhar mortiço, com as pupilas em miose. Lamento por elas, enquanto elas ainda estão vivas, na minha frente, devorando seu jantar. Imagino-as deitadas em seus caixões, com a maquiagem fúnebre mal feita, transformando a morte num espetáculo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=359&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/01/death.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-360" title="death" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/01/death.jpg?w=497" alt=""   /></a>Costumo imaginar as pessoas mortas.</p>
<p style="text-align:justify;">Olho para elas e vejos seus lábios descorados, as bochechas azuladas e o olhar mortiço, com as pupilas em miose.</p>
<p style="text-align:justify;">Lamento por elas, enquanto elas ainda estão vivas, na minha frente, devorando seu jantar.</p>
<p style="text-align:justify;">Imagino-as deitadas em seus caixões, com a maquiagem fúnebre mal feita, transformando a morte num espetáculo carnavalesco. O ar repleto de pólen das flores que entopem o caixão pra esconder o abdômem destroçado e esmagado, que a roupa não conseguiu disfarçar o formado errado, esmagado pelo caminhão.</p>
<p style="text-align:justify;">É só um ponto de vista, compreendam.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu diria, inevitável.</p>
<p style="text-align:justify;">O engraçado foi quando as coisas começaram a mudar.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2008/09/triskel.jpg"><img class="size-full wp-image-82 aligncenter" title="triskel" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2008/09/triskel.jpg?w=497" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Isso é o começo de algo. Escreverei mais sobre este tema, creio. Afinal, eu convivo com ele desde criança.</em></p>
<address>
</address>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/359/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=359&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Mari</media:title>
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			<media:title type="html">death</media:title>
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			<media:title type="html">triskel</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>(ir)realidade (lia II)</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 14:29:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>
		<category><![CDATA[Levemente Chocante]]></category>
		<category><![CDATA[Metáforas]]></category>

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		<description><![CDATA[As roupas espalhadas pelo chão, arrancadas às pressas. A cama desarrumada, molhada de suor, cheiro de sexo pairando no ar. Lia havia voltado, e a saudade dela me dominou pelos 35 anos que passei enfiado naquele sanatório. Convenceram-me que ela era apenas produto da minha então recém diagnosticada esquizofrenia. Disseram-me que eu havia cometido todos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=351&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/01/moon.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-352" title="moon" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/01/moon.jpg?w=497" alt=""   /></a>As roupas espalhadas pelo chão, arrancadas às pressas.</p>
<p style="text-align:justify;">A cama desarrumada, molhada de suor, cheiro de sexo pairando no ar.</p>
<p style="text-align:justify;">Lia havia voltado, e a saudade dela me dominou pelos 35 anos que passei enfiado naquele sanatório.</p>
<p style="text-align:justify;">Convenceram-me que ela era apenas produto da minha então recém diagnosticada esquizofrenia. Disseram-me que eu havia cometido todos aqueles crimes, aqueles que eu poderia descrever com detalhes cada mordida que minha pequena e pálida amada dava nos corpos por vezes ainda vivos.</p>
<p style="text-align:justify;">Mandaram-me pra casa, depois de 35 anos de tratamento. &#8220;Curado&#8221;; foi o que disseram. O que eu acho de verdade é que pensam que eu estou velho demais para matar alguém e que o governo cansou de sustentar um assassino num manicômio caro.</p>
<p style="text-align:justify;">De vez em quando eu via o gato cinzento atrás das grades da janela, rasgando sua silhueta contra a lua cheia. Por alguma razão, a lua me parecia sempre cheia. Tive lua cheia por 35 anos. No dia em que saí de lá, a lua minguava num céu avermelhado, sem estrelas, totalmente diferente daquelas noites em que eu &#8211; ou Lia &#8211; saía para caçar. Naquele tempo, a gente podia ver até estrelas cadentes no céu das maiores cidades. Agora, a maldita iluminação exagerada das metrópoles e a poluição escondem todo o brilho das estrelas, e até a lua parece mortiça por trás da poeira e fumaça.</p>
<p style="text-align:justify;">É claro que nunca disse a eles que ainda via &#8220;coisas&#8221;.  Fingia-me de bom paciente, escondendo os comprimidos embaixo da língua e os cuspia quando a enfermeira gorda deixava o quarto.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando cheguei em casa, sozinho, as coisas estavam arrumadas. Minha mãe cuidou para que a casa fosse arrumada por muitos anos, com a aposentadoria que ganhei por invalidez pagando os custos. Eventualmente, ela morreu (e eu fui avisado quase dois meses depois) e a casa foi deixada às traças. As despesas caíam automaticamente na conta em que eu recebia o dinheiro da aposentadoria, portanto, ninguém me incomodava sobre a casa.</p>
<p style="text-align:justify;">No entanto, quando eu entrei em casa, haviam velas acesas, estava tudo limpo e arrumado. Lençóis novos, de altíssima qualidade, recobriam a minha velha cama. Duas xícaras de chá fumegante em cima do balcão da cozinha. Encostada no batente da porta que separava a cozinha e a sala dos quartos, estava Lia.</p>
<p style="text-align:justify;">Linda, com o mesmo vestido que estava no dia em que a avistei pela primeira vez do outro lado da rua.</p>
<p style="text-align:justify;">- Estava te esperando. Eu fiz chá e dei um jeito nas coisas por aqui, se não se importa &#8211; disse Lia.</p>
<p style="text-align:justify;">- É claro que não me importo.</p>
<p style="text-align:justify;">Atirei-me em seus braços franzinos, senti o perfume de seus cabelos. Ela ainda era a menina que eu conheci tantos anos antes. Nenhuma ruga, nenhum cabelo branco, ainda com o frescor da juventude. E aquela pele gelada.</p>
<p style="text-align:justify;">Beijei-a fervorosamente, com a saudade de milênios, a dor de tantos anos de distância.</p>
<p style="text-align:justify;">As roupas espalhadas pelo chão, arrancadas às pressas.</p>
<p style="text-align:justify;">A cama desarrumada, molhada de suor, cheiro de sexo pairando no ar.</p>
<p style="text-align:justify;">Ficamos deitados, Lia enrodilhada em meus braços. Parecia tão pequena, tão pequena.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi quando ela beijou meu pescoço e um arrepio subiu pela minha espinha. Virei para beijá-la e ela mordeu-me, arrancando um pedaço gordo do meu lábio inferior.</p>
<p style="text-align:justify;">Assustado, meus olhos arregalaram-se, enquanto eu via o sangue escorrendo pela boca dela, pelo meu peito, manchando os lençóis imaculadamente brancos.</p>
<p style="text-align:justify;">Não havia dor. Lia abocanhou um grande pedaço da pele e músculos do meu pescoço e puxou, com um pouco de dificuldade.</p>
<p style="text-align:justify;">O sangue banhava-nos. Eu não sentia mais medo. Sentia prazer, o mais extremo que já senti em toda a vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela desceu, mordiscou meu mamilo direito e arrancou-o com as unhas. Urrei; não de dor. Comeu um pedaço e me deu a outra metade. O sabor era delicioso, adocicado, com o aroma único que só a carne humana tem.</p>
<p style="text-align:justify;">O ferimento no pescoço era muito profundo, e o sangue jorrava com vigor. As cores começaram a falhar na minha visão, e Lia parecia distante. Mas o prazer continuava.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela desceu mais. Arrebentou com os dentes a minha virilha e o alto da coxa. Senti o orgasmo chegando, e nesse momento, perdi a consciência. Pouco depois acordei, com Lia oferecendo-me um de meus dedos da mão, parcialmente mordiscado. Comi fracamente o coxim do dedo, deliciando-me com a textura da impressão digital. Ela, gentilmente, havia retirado a unha para que eu não me engasgasse.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, um lampejo final de realidade (ou irrealidade, afinal, eu nunca soube distingui-las) e eu me vi sozinho, ensanguentado,  num quarto que parecia uma versão de um filme triste do meu. Muita poeira, cupins, baratas. Eu estava deitado numa cama envelhecida, que eu tinha quebrado, totalmente coberta de sangue que jorrava do meu pescoço. Estava nu, comendo meus próprios dedos, com uma faca na outra mão.</p>
<p style="text-align:justify;">E então, perdi a consciência novamente.</p>
<p style="text-align:justify;">Num último sopro de vida abri um olho. Estava caído ao lado da cama, sem sentir meu corpo e com muito frio. Ao lado do batente da porta, um gato cinzento com olhos brilhantes me observava.</p>
<p style="text-align:justify;">E ele sorria.</p>
<p style="text-align:justify;">Céus, ele sorria.</p>
<p style="text-align:justify;">E depois, não houve mais nada.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;"><img title="triskel" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2008/09/triskel.jpg?w=25&#038;h=24" alt="" width="25" height="24" /></p>
<p style="text-align:center;"><em>Eu não quis continuar o conto &#8211; ele que quis ser continuado. Às vezes, as bigornas são grandes demais. Eu não tive nenhuma escolha quanto a esse conto. Às coisas são bem esquisitas de vez em quando. Bem, acho que eu que ando lendo demais. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2008/09/triskel.jpg"></a></p>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0000ee;"><br />
</span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/351/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=351&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">moon</media:title>
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		<title>berçário de estrelas</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 13:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>

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		<description><![CDATA[E eu escrevo novamente sobre outro ano. O tempo esvai-se, fato. 2009 foi um ano de mudanças. Loucas, repentinas, impensadas e maravilhosas. Um autêntico, incrível e caótico berçário de estrelas. Nada terminou o ano como começou. À meia noite do dia 1 de janeiro de 2009 eu estava sozinha, meio triste, esperando que algo mudasse. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=347&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste"><a href="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/01/etacarinae.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-348" title="etacarinae" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2010/01/etacarinae.jpg?w=497" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">E eu escrevo novamente sobre outro ano.</p>
</div>
<p>O tempo esvai-se, fato.</p>
<p>2009 foi um ano de mudanças. Loucas, repentinas, impensadas e maravilhosas. Um autêntico, incrível e caótico berçário de estrelas.</p>
<p>Nada terminou o ano como começou. À meia noite do dia 1 de janeiro de 2009 eu estava sozinha, meio triste, esperando que algo mudasse. À meia noite do dia 1 de janeiro de 2010 eu estava ao lado dos meus sonhos realizados.</p>
<p>Todos aqueles tsurus. Não todos, só 300. Valeram a pena. Demais.</p>
<p>Espero que em 2010 as coisas continuem tão boas&#8230; ou mudem, pra melhores ainda.</p>
<p>And, all the stars are on the inside.</p>
<p style="text-align:justify;">And no, the oceans do not return to the sea. Let&#8217;s just face the facts.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/347/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/347/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=347&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>carvalho</title>
		<link>http://feixedeluz.wordpress.com/2009/11/04/carvalho/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 14:39:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[Metáforas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Caminharam pelo campo até o carvalho solitário que haviam plantado na juventude. Agora, tantos e tantos anos depois, era uma bela e robusta árvore. Ouviram falar que o carvalho é uma árvore de muitas portas, que dão acesso a outras realidades. E a vida havia-lhes cansado, depois de tanto tempo. Sentaram-se lado a lado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=335&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-336" title="oak" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2009/11/oak.jpg?w=497" alt="oak"   /></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caminharam pelo campo até o carvalho solitário que haviam plantado na juventude. Agora, tantos e tantos anos depois, era uma bela e robusta árvore.</p>
<p>Ouviram falar que o carvalho é uma árvore de muitas portas, que dão acesso a outras realidades.</p>
<p>E a vida havia-lhes cansado, depois de tanto tempo.</p>
<p>Sentaram-se lado a lado, mãos entrelaçadas e a noite tocou-os com a escuridão estrelada. A muitos quilômetros de distância, ouvia-se o trem, assobiando pelos trilhos. Não o tomariam novamente.</p>
<p>Quando a manhã avermelhou o céu, ainda estavam lá, de mãos entrelaçadas, os olhos fixos no horizonte. Um meio sorriso pintava o rosto de cada um, resultado de uma vida inteira compartilhada.</p>
<p>As portas podem ter muitas formas.</p>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em>You&#8217;re the dream that&#8217;s a fact</em></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em>You&#8217;re the wind at my back</em></span></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/335/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=335&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>paraíso</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 05:07:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[Metáforas]]></category>
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		<description><![CDATA[O paraíso pode ter diversas formas e cores. O dele tem grama por cortar, formigueiros. Tem árvores de acerola e tem redes de dormir. Enlameia-se na chuva. É profundamente silencioso e aconchegante. Tem cheiro de infância. Ele não fica longe de lá, porque ele e seu paraíso são mutuamente dependentes. Um dia ele me levou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=332&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="size-full wp-image-333 alignleft" style="border:0 initial initial;" title="paraiso" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2009/10/paraiso.jpg?w=497" alt="paraiso"   />O paraíso pode ter diversas formas e cores.</p>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">O dele tem grama por cortar, formigueiros. Tem árvores de acerola e tem redes de dormir.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">Enlameia-se na chuva. É profundamente silencioso e aconchegante. Tem cheiro de infância.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">Ele não fica longe de lá, porque ele e seu paraíso são mutuamente dependentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">Um dia ele me levou lá, e eu entendi. Tomei para mim a sensação de paz e clareza.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">Cada momento passado ali tem um sabor diferente; determinante.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">Certa vez, enquanto estava lá, ele pintou um quadro de um nascer do sol chuvoso e assinou seu</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">nome embaixo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">É, o paraíso pode ter diversas formas e cores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">No meu, a tinta está meio escorrida, por causa da chuva. Dá pra ver o sol atrás das nuvens. Bem</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;text-align:justify;">no cantinho, a assinatura, riscada em letras firmes.</div>
<p style="text-align:justify;">O dele tem grama por cortar, formigueiros. Tem árvores de acerola e tem redes de dormir.</p>
<p>Enlameia-se na chuva. É profundamente silencioso e aconchegante. Tem cheiro de infância.</p>
<p>Ele não fica longe de lá, porque ele e seu paraíso são mutuamente dependentes.</p>
<p>Um dia ele me levou lá, e eu entendi. Tomei para mim a sensação de paz e clareza.</p>
<p>Cada momento passado ali tem um sabor diferente; determinante.</p>
<p>Certa vez, enquanto estava lá, ele pintou um quadro de um nascer do sol chuvoso e assinou seu nome embaixo.</p>
<p>É, o paraíso pode ter diversas formas e cores.</p>
<p style="text-align:justify;">No meu, a tinta está meio escorrida, por causa da chuva. Dá pra ver o sol atrás das nuvens. Bem no cantinho, a assinatura, riscada em letras firmes.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/332/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=332&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>insone (participação especial)</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 04:33:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[Participações Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue uma participação especial do meu amigo Pedro, a quem eu estava infernizando por um texto para cá. E depois o infeliz diz que escreve mal ¬¬. Ele já estava olhando para o teto há algumas horas. O quarto em semi-escuridão pela janela aberta, com as luzes alaranjadas da rua fazendo desenhos na parede. Era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=322&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Segue uma participação especial do meu amigo Pedro, a quem eu estava infernizando por um texto para cá. E depois o infeliz diz que escreve mal ¬¬.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="size-full wp-image-82 aligncenter" title="triskel" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2008/09/triskel.jpg?w=497" alt="triskel"   /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-323" title="insone" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2009/10/insone.jpg?w=497" alt="insone"   /></p>
<p style="text-align:justify;">Ele já estava olhando para o teto há algumas horas. O quarto em semi-escuridão pela janela aberta, com as luzes alaranjadas da rua fazendo desenhos na parede.</p>
<p style="text-align:justify;">Era uma terça feira, e já passava das duas da manhã. Ele não tentava mais, já havia desistido. A insônia era sua maior e mais indesejável companhia. Em pouco mais de três horas, ele já teria que estar de pé, ir cambaleando pelas ruas ainda desertas e escuras para o trabalho. Mas isso já não o preocupava mais.</p>
<p style="text-align:justify;">Após alguns minutos depois de deitar, o cansaço tomava conta. Muitas vezes era físico, o que nem sempre queria dizer um sono rápido &#8211; mas esta noite era outro tipo de cansaço.</p>
<p style="text-align:justify;">Muitos o perguntavam como ele aguentava. Mas perguntavam de outras coisas, insignificantes e banais. Desta vez, o que era realmente importante era o seu peso. Um peso que ele estava cansado de carregar.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É isso, vai ser hoje&#8221;, sussurou sozinho enquanto levantava vagarosamente. Sentou-se no canto da cama, e estendeu o braço para a mesa ao lado.<br />
Abriu a caixa e contou. Já havia usado três, restavam pouco mais de vinte comprimidos. Provavelmente dez seriam o suficiente, mas não havia sentido em racionar nisso. Melhor que isso, era ter certeza.</p>
<p style="text-align:justify;">Vagarosamente tirou um por um do envelope, e colocou todos em sua mão, que nesse momento já estava tremendo. Começou a juntar saliva em sua boca enquanto olhava para a mão na escuridão.</p>
<p style="text-align:justify;">De repente, nos pequenos comprimidos vermelhos surgiram nomes. Nomes de pessoas, nomes de lugares, sentimentos. Fechou a mão e apertou, segurando as lágrimas enquanto os comprimidos dissolviam e escorriam pelos seus dedos.</p>
<p style="text-align:justify;">Jogou-os para debaixo da cama, e suas mãos pararam de tremer. Sua expressão se tornou firme e séria. &#8220;Não será hoje, afinal&#8221;, disse em voz alta.</p>
<p style="text-align:justify;">Deitou-se, e fechou os olhos, se sentindo em paz pela primeira vez em dias. &#8220;Ainda tenho algumas coisas para fazer&#8221;, disse em um breve sussuro, e adormeceu.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/322/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=322&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">insone</media:title>
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		<title>dança</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 03:49:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bigornas]]></category>
		<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[Microdevaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela estava sentada no chão, olhando o céu noturno carregado de nuvens. As folhas do jardim pingando furiosamente a água que despencava sobre elas. Abraçada aos joelhos, tremia de frio. Tinha corrido até chegar ali, e estava encharcada. Mas, não conseguiu entrar. Hipnotizada pelo clima, sentou-se ali no chão enlameado para apreciar a tempestade. Ele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=318&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ela estava sentada no chão, olhando o céu noturno carregado de nuvens. As folhas do jardim pingando furiosamente a água que despencava sobre elas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Abraçada aos joelhos, tremia de frio. Tinha corrido até chegar ali, e estava encharcada. Mas, não conseguiu entrar. Hipnotizada pelo clima, sentou-se ali no chão enlameado para apreciar a tempestade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ele a viu pela janela de sua casa. Era seu vizinho há alguns anos e eram amigos, até. Naquele instante, notou o seu sentimento pela primeira vez. Enlouquecedor, atordoante, urgente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ele nunca tinha dançado na vida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Desceu correndo as escadas do sobrado e apareceu, já encharcado, ao portão dela. Teve que chamar-lhe pelo nome para capturar a atenção dela.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ela veio ao seu encontro e cumprimentou-o com um beijo no rosto.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">- Sente-se aqui. Olhe essa tempestade, com olhos de quem nunca viu &#8211; disse ela, puxando-o pela mão para sentar-se no canto enlameado da parede da varanda onde estava quando ele chegou.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Olharam a chuva juntos, pelo que pareceu a eternidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ela nunca tinha dançado na vida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Ele levantou-se e puxou-a pela mão.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">- Dança comigo? &#8211; ele disse.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">- Mas eu não sei dançar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">- Nem eu.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Abraçou-a pela cintura e ela enrolou-se em seu pescoço, e apoiou a cabeça em seu peito.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Dançaram assim, encharcados, ao som da chuva, por muito tempo.</div>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-319" title="Raindance" src="http://feixedeluz.files.wordpress.com/2009/10/raindance.jpg?w=497" alt="Raindance"   />Ela estava sentada no chão, olhando o céu noturno carregado de nuvens. As folhas do jardim pingando furiosamente a água que despencava sobre elas.</p>
<p style="text-align:justify;">Abraçada aos joelhos, tremia de frio. Tinha corrido até chegar ali, e estava encharcada. Mas, não conseguiu entrar. Hipnotizada pelo clima, sentou-se ali no chão enlameado para apreciar a tempestade.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele a viu pela janela de sua casa. Era seu vizinho há alguns anos e eram amigos, até. Naquele instante, notou o seu sentimento pela primeira vez. Enlouquecedor, atordoante, urgente.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele nunca tinha dançado na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Desceu correndo as escadas do sobrado e apareceu, já encharcado, ao portão dela. Teve que chamar-lhe pelo nome para capturar-lhe a atenção.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela veio ao seu encontro e cumprimentou-o com um beijo no rosto.</p>
<p style="text-align:justify;">- Sente-se aqui. Olhe essa tempestade, com olhos de quem nunca viu &#8211; disse ela, puxando-o pela mão para sentar-se no canto enlameado da parede da varanda onde estava quando ele chegou.</p>
<p style="text-align:justify;">Olharam a chuva juntos, pelo que pareceu a eternidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela nunca tinha dançado na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele levantou-se e puxou-a pela mão.</p>
<p style="text-align:justify;">- Dança comigo? &#8211; ele disse.</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas eu não sei dançar.</p>
<p style="text-align:justify;">- Nem eu.</p>
<p style="text-align:justify;">Abraçou-a pela cintura e ela enrolou-se em seu pescoço, e apoiou a cabeça em seu peito.</p>
<p style="text-align:justify;">Dançaram assim, encharcados, ao som da chuva, por muito tempo.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="color:#333333;">Day Eleven : Love</span></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/feixedeluz.wordpress.com/318/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/feixedeluz.wordpress.com/318/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=feixedeluz.wordpress.com&amp;blog=4935108&amp;post=318&amp;subd=feixedeluz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Raindance</media:title>
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