mil portas
Cuida;
Cuida daquilo que é teu, daquilo que criou.
Cuida de quem és, e de quem pretende ser.
Cuida daquilo pelo que lutou, e cuida daquilo que lhe foi dado.
Cuida, alimenta, cativa, acolhe.
Cuida daquilo que considera mais precioso, e daquilo que lhe considera a coisa mais preciosa.
Cuida de mim, e não me deixe ir.
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A solidão é quem me cria, quem acaricia meus cabelos quando eu durmo.
“Você não conhece a solidão”, ele disse. Ah, conheço. Conheço tanto que ela me chama pelo nome.
É uma casa de mil portas trancadas.
Ao menos, é território conhecido, e eu posso abaixar a guarda.
Afinal, o que é que eu estava esperando?
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Quem é que muda de casa quando a sua ainda lhe serve às necessidades, e é acessível ao bolso? Que fiquemos na casa velha, com todos os cantos conhecidos! O cheiro pode não ser bom, e o papel de parede pode estar amarelado. Pode faltar espaço e não proporcionar boas sensações o tempo todo. Quem se importa? É apenas o bom e velho lar da família, e ninguém pretende sair daqui.
Assim, é bem mais fácil pegar o copo d’água no escuro sem esbarrar nas quinas.

Ficar na velha casa e se contentar com chaves demil portas trancadas? Por causa de um copo d´agua? Ou de uma falta de luz que embora permanente tem tratamento sintomático? Ah não deixo!
Milinha disse isso em 20 20UTC Dezembro 20UTC 2008 às 4:08 pm